quarta-feira, março 25, 2009

The purity of senses
but impurity of feelings
arises cathartic.

Amidst the lesser activity
in which self is detachment
a sudden window through time 
opens up for this fresh breeze...

Staring at me, 
the hours, the days kept inside
all these months, all these years...
And there I am,
as all that nothing,
once something;
a sense of surrounding 
and the sense of abandonment
of that surrounding,
for something deeper 
and closer
to the knowledge 
of pain 
and its survival,
that new dawn
after that last curve 
of that last hill,
the imaterial place,
a strong undefined memory
that knows its truth,
that knows its reasons,
and that carries on,
as beautiful as the aesthetics
which lie beyond philosophy,
beyond the shelf that is home
in its social, strained sense.

The disguise wore off those nights,
mostly nights,
in which darkness was appeased
slowly as the moon shone
higher and higher,
the bright enigma of bleeding youth,
grains of sand...

Then, I was.
Today... when am I?
Which road am I on?

Recollection of scattered pieces
failing to form a mirror -
- the only reflection here.

And so one pretends that he's digging,
and forgets that to dig
is to drop off 
one's tools
and return,
and awake...
...free,
so to say.

(Although a shadow shall pass by
and something shall be lost
in translation...)

quinta-feira, março 19, 2009

Com tijolos se calceta a estrada da solidão.
- Trechos de perdição... -
- Frestas na emoção... -

Quem me dita a sua vã glória,
quem dela se vangloria
desta vez?

A nobreza morta não esconde o vermelho do sangue.
O pegajoso vermelho do sangue...
repisado pelo incauto caminhante,
para quem os tijolos são tijolos
até tropeçar neles.

Dói-me a voz do estar,
fala esquecida de uma já clássica peça
cujos panos caem à hora prevista.

O palco é coração agora quieto
onde vibra apenas essa mesma dôr quieta
de ele estar quieto.

Segura o nome da tragédia
a consciência furtiva,
calceteira
e cada vez mais
uma personagem mais
neste teatro e percepção
em que a lágrima se desinibe
contida,
em que o céu se pinta
côr cinzenta
(e não cinzento),
nódoa no quadro 
de pesados tijolos vermelhos

e alguns vultos incertos a passar,
surdos como qualquer sombra
ou som de passos em surdina.

Foi como foi.
O odôr a musgo
pintado a vermelho
num papel sem cheiro
e a vida a revelar
fotográfica
a vida por revelar

e os panos a cair
deste meta-teatro
doendo ainda.

E dói tanto,
tanto
...
tanto
...

E resta esta fútil tristeza
com a qual não sei bem o que fazer.
E de repente não sei de novo onde me enfiar,
sucessão sem tempo de linhas sem retribuição,
não-amôr espalmado e gordo
sem a paz das linhas
que definem o manuscrito

ou ao menos alguma novidade,
um pouco de ilusão sem noção de ilusão,
que me não recorde do dualismo real-abstracto.
Isto enquanto se prolonga já
uma menor ligação aos sentidos
desta noção de temática
menos e menos presente.

Das sombras se faz a vicissitude...
...e algures um fim de beco
côr de panos.